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E-book Inteligência Artificial e Educação na contemporaneidade: práticas educativas, metodologias ativas e mediação docente


Organizadores:

Rita de Cássia Soares Duque

Ivonete Telles Medeiros Placido

Rhadson Rezende Monteiro

Área de conhecimento:

Ciências Humanas


Idioma: Português

Ano: 2026 - 1ª Edição - Vol. 2

Número de páginas: 121 páginas

Formato: Pdf

Tamanho do arquivo: 1,46 MB

ISBN: 978-65-5321-098-1

DOI: 10.47538/AC-2026.19

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E-book

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E EDUCAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE

Práticas Educativas, Metodologias Ativas e Mediação Docente

Cultura algorítmica, formação e reconfiguração da autoridade epistêmica na educação


     A segunda coletânea dedicada à interface entre inteligência artificial e educação não se limita à continuidade temática do volume anterior. Se o primeiro volume concentrou-se na inserção de tecnologias digitais em práticas pedagógicas e experiências formativas específicas, esta obra desloca o foco analítico para um plano estrutural mais abrangente. O Volume II examina como a cultura algorítmica reorganiza fundamentos normativos, regimes de evidência e critérios de legitimidade que sustentam a formação docente, a produção científica e a própria experiência universitária.
     A presença crescente de sistemas capazes de analisar grandes volumes de dados, gerar inferências preditivas e oferecer recomendações automatizadas não representa mero aperfeiçoamento instrumental. Trata-se de transformação que incide sobre a arquitetura do trabalho pedagógico, sobre o estatuto da autoria acadêmica e sobre os mecanismos institucionais de validação do conhecimento. A inteligência artificial introduz racionalidades estatísticas no centro das decisões educacionais, tensionando modelos tradicionais baseados na deliberação crítica e na interpretação contextualizada.
     Nesse cenário, a formação docente emerge como eixo estratégico. Os capítulos iniciais deste volume demonstram que a profissionalidade na era algorítmica exige articulação entre competência digital, capacidade analítica, sensibilidade pedagógica e consciência ética. A docência passa a operar em interlocução constante com sistemas que produzem relatórios, classificações e predições. O professor não é substituído, mas reposicionado como intérprete crítico de evidências geradas por modelos computacionais. A mediação pedagógica amplia seu escopo ao incorporar a leitura reflexiva de dados educacionais.
     O debate avança, em seguida, para o campo da escrita acadêmica. A produção científica mediada por inteligência artificial altera o regime de autoria ao introduzir formas híbridas de co-produção textual. A organização discursiva passa a dialogar com padrões algorítmicos treinados em grandes corpora, redefinindo noções de originalidade e integridade intelectual. A questão não reside na rejeição da tecnologia, mas na necessidade de estabelecer critérios normativos claros que preservem a responsabilidade autoral e a diversidade epistêmica diante da homogeneização potencial dos modelos automatizados.
     Ao examinar a Educação a Distância, o volume amplia a escala da análise para a infraestrutura institucional. A inteligência artificial consolida-se como dispositivo de governança ao integrar sistemas de monitoramento contínuo, personalização adaptativa e modelagem preditiva de desempenho. Essa reconfiguração altera os regimes de evidência pedagógica, deslocando parte da autoridade interpretativa para sistemas estatísticos. A aprendizagem passa a ser acompanhada por métricas que disputam legitimidade com o julgamento profissional docente.
     O percurso analítico culmina na reflexão sobre o ensino superior. A incorporação de analytics institucionais, dashboards e modelos preditivos redefine critérios de validação acadêmica e reorganiza a experiência universitária. A universidade contemporânea passa a operar sob racionalidade informacional intensificada, na qual decisões administrativas e pedagógicas dialogam com inferências estatísticas. O desafio não é tecnológico, mas epistemológico: quais formas de evidência passam a orientar o reconhecimento do conhecimento legítimo?
     Ao integrar essas dimensões, o Volume II constrói argumento central: a inteligência artificial atua como vetor de redistribuição da autoridade epistêmica na educação. A cultura algorítmica altera os parâmetros que definem o que conta como evidência, como autoria e como decisão pedagógica válida. Essa redistribuição não elimina a centralidade humana, mas exige redefinição das responsabilidades profissionais e institucionais.
     A ética emerge, portanto, como categoria estruturante da obra. Governança de dados, transparência algorítmica, proteção de informações educacionais e delimitação da automação decisória tornam-se condições de legitimidade das práticas mediadas por inteligência artificial. A inovação educacional não pode ser dissociada de compromisso com equidade, pluralidade e autonomia intelectual.
     Esta coletânea propõe leitura que ultrapassa discursos celebratórios ou alarmistas. A inteligência artificial não é apresentada como solução universal nem como ameaça inevitável. O volume assume perspectiva analítica que reconhece potencialidades operacionais e, simultaneamente, evidencia tensões estruturais. A transformação educacional mediada por sistemas inteligentes depende da capacidade institucional de articular eficiência técnica com reflexão crítica.
     A arquitetura argumentativa construída ao longo dos capítulos revela que a questão decisiva não reside na adoção da tecnologia, mas na definição dos princípios que orientam sua incorporação. A cultura algorítmica inaugura novo regime de evidência na educação contemporânea. Preservar a centralidade ética da formação, da autoria e da experiência universitária constitui tarefa que demanda coordenação entre políticas públicas, governança institucional e desenvolvimento profissional contínuo.
     O Volume II apresenta, assim, contribuição analítica ao debate internacional sobre inteligência artificial na educação ao evidenciar que a transformação em curso é estrutural. Ao examinar formação docente, escrita científica, Educação a Distância e ensino superior sob perspectiva integrada, esta obra convida à reflexão sobre os limites e as possibilidades da automação no campo educacional. O futuro da educação mediada por inteligência artificial dependerá menos da sofisticação técnica dos sistemas e mais da capacidade coletiva de estabelecer fronteiras críticas entre racionalidade preditiva e responsabilidade humana.

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